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Família de jovem morto durante comitiva acusa colegas de omissão de socorro

Chefe foi avisado que peão estava passando mal, mas não fez nada, garantem parentes

A família de Rodrigo Nunes do Carmo, 39 anos, acredita que o integrante de comitiva encontrado morto na quinta-feira (25) tenha sido vítima de omissão de socorro. O caso aconteceu na região da fazenda de Paiaguás, em Corumbá, cidade a 428 quilômetros de Campo Grande.

Procurada pelo Campo Grande News, a irmã de Rodrigo contou que ele saiu de Camapuã com a comitiva no dia 16 e dois dias depois almoçou em um restaurante que pertence ao seu tio. Na ocasião, ele teria relatado ao familiar que estava passando mal.

“Meu tio disse que ele estava bastante debilitado, com muita tosse. Ele falou pro meu tio que estava há dois dias sem comer. Meu tio então avisou o chefe da comitiva que meu irmão não estava bem e que não era para deixá-lo seguir viagem, descer o Pantanal, mas ele não fez nada”, disse Sebastiana Nunes do Carmo, 42 anos.

No relato, ela diz que o grupo então seguiu viagem e Rodrigo acabou tendo uma crise, que foi filmada por seus companheiros. “Meu irmão desceu da mula e foi filmado. Ele estava caído no meio do mato e um peão fala para ele levantar, mas ele diz que não consegue e pede ajuda. O rapaz fala pros outros companheiros que tinha que ajudar e avisar para buscarem o meu irmão. O vídeo é pausado”, afirmou a mulher.

Depois, o grupo ajuda Rodrigo a subir novamente na mula e eles seguem até o acampamento onde estavam juntando gado. Rodrigo, no entanto, continua passando mal.

“Um dos colegas falou para ele subir na mula e ir até a sede da fazenda pedir ajuda. Nenhum dos companheiros foi com ele. Meu irmão andou aproximadamente 5 km e a gente acredita que tenha passado mal novamente, desceu da mula, amarrou o animal e caiu no chão. Isso no dia 19”, contou Sebastiana.

Desde então, Rodrigo não deu mais notícias. Já no dia 25, o gerente da fazenda pediu que um funcionário fosse buscar uma tropa. O rapaz passou pela estrada e viu o corpo do vítima perto da mula. Ele soltou o animal e voltou para a sede da propriedade.

“Ele avisou o gerente que avisou o chefe da comitiva do meu irmão logo pela manhã. No entanto, esse chefe ligou para o meu pai por volta das 10h e disse que meu irmão tinha abandonado a comitiva. Ele falou que meu irmão pegou carona e foi pra cidade em um caminhão. Meu pai me ligou e eu falei para ele ficar tranquilo que eu mandaria mensagem pro Rodrigo”, relatou a mulher.

“Esse homem só contou pro meu primo no final da tarde que meu irmão estava morto. Ele já sabia desde cedo. Meu primo me ligou e me contou. Uma notícia que me abalou. Liguei para o filho do chefe da comitiva, ele ficou negando. Mas meu primo me mandou o vídeo e era só a ossada do meu irmão. Nós queremos justiça”, pontuou Sebastiana.

Nesta segunda-feira (29), ela foi até a delegacia de Camapuã e contou a versão da família sobre o caso. Para ela, a morte talvez não pudesse ser evitada, mas pelo menos a família conseguiria se despedir de Rodrigo.

“Ele o tempo todo sabia que meu irmão não estava bem. Não fez nada. Talvez fosse mesmo o dia dele ter morrido, mas ao menos teria direito a ter um velório. Tivemos que acompanhar só os restos mortais do meu irmão. Ele fez muitas viagens com ele, são muitos anos de estrada, por isso estamos revoltados”, finalizou.

Por Ana Paula Chuva | CAMPO GRANDE NEWS

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