AgriculturaAgronegóciosBrasilCotaçõesDestaques
Tendência

Demanda aquecida sustenta preços da soja em junho

Brasil já embarcou 53,2 milhões de toneladas de soja até maio

soja posta no porto de Paranaguá (PR) foi negociada a R$ 135,00 por saca de 60 kg nesta quarta-feira (24), com leve recuo de 0,5% frente à referência anterior, de R$ 135,50. Ainda assim, segundo dados divulgados pela DATAGRO, o preço médio parcial de junho para a praça chegou a R$ 133,94 por saca, alta de 1,9% sobre a média de maio, de R$ 131,40. O desempenho reflete um mercado respaldado pela demanda externa consistente e pelo encerramento do ciclo de colheita no país.

De acordo com a DATAGRO, a valorização relativa registrada em junho é resultado direto de dois fatores: a finalização da colheita, que reduz a pressão imediata de venda por parte dos produtores, e o bom ritmo de demanda pelo produto brasileiro, com destaque para o fluxo de exportações. O mercado externo segue absorvendo volumes expressivos da soja nacional, sustentando as cotações mesmo em um ambiente global de incerteza.

Desde o início do ciclo exportador da safra atual, em fevereiro, o Brasil já embarcou 53,2 milhões de toneladas de soja até maio, segundo dados da DATAGRO. O volume representa crescimento de 5,4% frente ao mesmo intervalo do ano anterior e equivale a 45% do potencial exportador total projetado pela consultoria para o país, estimado em 118 milhões de toneladas. O ritmo colocou o Brasil em posição de protagonismo no mercado global da oleaginosa.

O desempenho das exportações tem sido um dos principais pilares de sustentação das cotações domésticas. Com compradores externos ativos e fluxo de embarques consistente, a demanda pelo produto brasileiro mantém pressão compradora sobre os preços físicos, mesmo em um período em que, historicamente, as cotações tendem a recuar após o pico da colheita.

A praça de Paranaguá, principal referência para a soja exportada pelo Sul do Brasil, registrou ao longo de junho uma média superior à de maio, o que sinaliza que a demanda externa conseguiu mais do que compensar o aumento temporário de oferta com o encerramento da safra. O movimento é positivo para produtores que ainda mantêm parte do produto em carteira aguardando melhores oportunidades de venda.

Com 45% do volume exportador projetado já embarcado no acumulado de fevereiro a maio, a DATAGRO aponta que o Brasil tem diante de si um volume ainda significativo a ser escoado até o final do ciclo. A capacidade de manter o ritmo de embarques nos próximos meses será determinante para o comportamento das cotações no mercado físico durante o segundo semestre.

No mercado externo, a China segue como principal destino da soja brasileira, mantendo sua posição como o maior importador global da oleaginosa. A consistência da demanda chinesa tem sido um fator estrutural de suporte às cotações brasileiras ao longo dos últimos anos, e o ciclo atual não foge à regra. Outros destinos asiáticos e europeus também contribuem para a manutenção do ritmo de embarques.

Agrolink – Aline Merladete

Botão Voltar ao topo